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MEMÓRIAS DA PELE

  • Foto do escritor: Arthur Andrade Tree
    Arthur Andrade Tree
  • 12 de jun.
  • 2 min de leitura


A gente acha que é a fonte de tudo, responsavel por tudo. Não somos. Somos instrumentos, tradutores, veículos. A fonte é a memória da pele, a fonte é o planeta. Somos “bonecos” ao sabor das ondas.


Recebemos a incumbência de gritar pela terra. Há uma violencia extrema e incontrolavel nos subterraneos do planeta exalando para a superficie. São milhões, bilhões de anos de memórias na pele da terra, dores e afagos, fogo e água, vulcões e magmas. Tudo isso é grito sufocado pedindo pra sair.


E sai, acredite, ele sai disfarçado em forma de infrassons de 20 HZ que são captados por organismos hiper sensiveis. Pessoas hiper sensiveis. Elas então explodem, entram em erupção ou viram terremotos, tempestades, tsunamis.


As leis foram criadas para conter essas explosões, para segurar as memórias da pele. Não seguram. A violencia é dessa hiper sensibilidade. A paz também. Tempestade e calmaria são  da linguagem do planeta que nós reproduzimos. Quanto mais sensiveis, vulneráveis, mais reprodutores.


Uma fera selvagem não é fria, desprovida de sensibilidade, ao contrário, é hiper sensivel. Seus sentidos são ultra ativados.  Uma pessoa em surto é como uma fera. Sua força é maior que seu braço e sua furia é visceral. São os subterraneos da terra se levantando no grito.


Minha amiga, amorosa, solidária, hiper sensivel tentou destruir seu amado. Um ciume como um vulcão tomou seu corpo e cegou todas as décadas de autoconhecimento, vivências espirituais, terapias e mil livros de filosofia. Ela era a força descomunal da fera babando odio e desejo de morte.


Ela nunca foi isso. Ela estava reproduzindo a ira da terra em plena Ilha da Madeira, belíssima por fora, infernal por dentro. Um rio subterraneo de magma vulcanico borbulha há décadas nesse lugar querendo sair e gritar sem poder. A violência está nas entranhas da Ilha cuja aparencia de paz é a armadilha. Não confie nas aparencias.


Chamam de surto. Pessoas surtam “do nada”. São loucas, culpadas, responsáveis, julgadas pelos seus atos. São então presas e proscritas. Vão para as penitenciarias (termo que vem de penitência) se juntar a milhares de seres hiper sensiveis condenados por reproduzirem a terra.


So há uma forma de não reproduzir os gritos do planeta. Deixando lugares onde as memórias são escandalosas em rios subterraneos, historias de violência e vulcões reprimidos,  extintos. Os organismos reproduzem o ambiente onde vivem. Eles não são responsáveis porque não são a fonte. Eles são condenados porque não há como condenar a fonte.


Hartur

 
 
 

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