PRECISAMOS SER EXTINTOS
- Arthur Andrade Tree
- 22 de fev. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 8 de mar. de 2025

Mais de 180 milhões de substâncias químicas foram registradas no mundo desde a Revolução Industrial, século 18. O ser humano sintetiza 10 mil novos compostos químicos por dia. Por dia!
A partir do início do século 20, quase 90% da fauna foi extinta, o Mar Báltico morreu de sujeira, os oceanos estão mais ácidos, o gás carbônico ocupa o ar das cidades e as pessoas querem festa. Este é o mundo que esperamos sobreviva à extinção.
O primeiro plástico sintético, o baquelite, foi criado em 1907. Desde então, milhares de tipos de plásticos foram desenvolvidos, para orgulho da indústria. Desde 1928, o complexo farmacêutico liberou dezenas de milhares de medicamentos, alguns deles a preços inacreditáveis, em torno de R$ 20 milhões. Uma amiga investe R$ 46 mil por mês em remédios ultra modernos para tratamento do filho. Esta é a civilização que esperamos sobreviva ao caos.
O planeta está derretendo. Desde o século passado, corporações e governos são alertados. Entra pelo ouvido do capital e sai pelo ouvido do produto. Alertas servem para tapar buracos nas pautas de fim de semana da imprensa. A coisa é séria e a orientação parece ser cada um por si.
O Brasil quer mais petróleo para gerar mais desenvolvimento, mesmo que ameace a Amazonia. Se não o fizer, o vizinho amazônico fará. A floresta já perdeu 20% de sua cobertura original. É muita coisa, algo como 800 mil km² de floresta, equivalente às áreas de 11 países juntos - Portugal, Hungria, Áustria, Suíça, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Irlanda, Islândia, Croácia e Servia.
O AGRO QUE MATA
Os grandes desmatamentos são das fazendas de gado e soja, que avançam dia após dia na região. As consequências dos desmatamentos do agronegócio em todo país estão nas tempestades de areia em São Paulo, na tragédia das águas do Rio Grande do Sul, no calor de 50 graus no Rio e nos cones de trânsito derretidos em Santa Maria (RS). Mas agro é desenvolvimento, é balança comercial.
As pessoas assistem às imagens das catástrofes como filmes de ficção, se espantam, se distraem, se divertem. E logo esquecem, seguem comprando bugigangas inúteis, comendo porcarias nas lanchonetes, bebendo detergentes açucarados e fazendo o Carnaval. É preciso distração.
O planeta está afundando, derretendo e queimando. O Rio de Janeiro não vai sobreviver à invasão do mar, assim como o Farol da Barra, em Salvador, e todas as cidades litorâneas do mundo. Não vai adiantar o corre-corre. Os Estados Unidos ruirão sob fogo, água e frio levando Trump, Elon Musk, Bezzos e todos os bilionários escondidos nos seus bunkers.
Cientistas e ambientalistas estão vendo a tragédia já explícita. Alguns choram, outros não dormem, outros querem luta. Enquanto isso, corporações reforçam seus aparatos de segurança, investem em propaganda e ampliam suas linhas de montagem com mais robôs porque o capital, o capital, o capital...
VIVEMOS SOBRE ESCOMBROS
Somos oito bilhões de humanos que para existir precisam destruir. As cidades são construidas sobre escombros da natureza. Vibra sob nós a dor de milhões de árvores, animais e escravos em vários níveis, mortos. A comida da maioria é obtida com a matança de vacas, frangos, porcos. Muitos se divertem caçando raposas e coelhos ou nas pescarias de fins de semana. É a única espécie que mata sem necessidade, por puro prazer de ver o bicho sangrar.
Essa espécie vai mudar antes do fogo e da lama engolirem as cidades? Segundo estudiosos do clima, temos até 2030. Se eles estiverem realmente certos, são apenas cinco anos para uma mudança radical de consciência, de hábitos e de fontes energéticas. Difícil, muito difícil.
De todos os lados, o capitalismo nos devora. Montanhas de livros, filmes, alertas e vítimas não são o bastante para nos tirar do torpor do consumo. Oceanos ácidos, rios poluidos, terras arrasadas não são suficientes para nos livrar das correntes das religiões que entregam a deus o nosso destino. Como somos incapazes de cuidar até de nós mesmos, o planeta o fará. Afinal "alguém" precisa agir. Precisamos urgentemente ser extintos.



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