O SENTIDO DA VIDA? SOBREVIVER, ORA!
- Arthur Andrade Tree
- 19 de jun. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 3 de jul. de 2024

Teorizamos, filosofamos e patinamos na maionese para encontrar o sentido da existencia. E nada. Cada um tem seu monte de dúvidas e angústias. To fazendo o que aqui nessa vida? Qual o sentido?
Nenhum. Ou melhor, sobreviver como qualquer bicho.
A gente tem essa de se achar especial porque inventa coisas, constroi prédios e lava pratos. Um bicho que dobra os lençois e faz a cama tem que ser especial. Um animal que escova dentes, lava as partes, cata piolhos e corta as unhas tem que ser especial. Com tantas especialidades, existir nesse lugar tem que ter um sentido especial. Qual?
Nenhum, nada especial.
Comer, dormir e não fazer nada. Alguns trepam, procriam pra preservar a espécie. Outros desistem, abortam o processo porque sabem qual o caminho da espécie. No resto do tempo, existimos para manter uma farsa chamada civilização.
ESTRANHOS
Durante dois milhões de anos vivemos nas savanas e nas montanhas sobrevivendo sem fazer nada. No tempo de Adão e Eva a gente fazia o que? Nada! No tempo dos dinossauros e mais recente nas tribos africanas, faziamos o que? Porra nenhuma. Nosso único trabalho era procurar comida e um lugar pra se proteger da chuva e dormir, como todos os outros bichos.
Até que depois de DOIS MILHÕES de anos de vida boa aprendemos a falar palavras, contar numeros e planejar a morte do estranho. Alguém nos ensinou essa zorra, deu a dica, domesticou o selvagem do mesmo jeito que fazemos com cães e gatos. A tecnologia das palavras não surgiu assim do nada. Algum alienígena fez isso. Fomos inventados, domesticados por estranhos, aposto uma combucha. Depois com a evolução viramos os estranhos.
O sentido da vida dos domesticados virou entao o trabalho produtivo que dignifica, o que gera dinheiro, a pior de todas as invenções. Passamos da vida boa para a escravidão da moeda, do cartão de crédito e das responsabilidades sociais. Meu filho lindo vai casar em setembro e lá vou eu botar paletó e sapato pra fazê-lo feliz. Posso ir de All Star? Nãão meu pai, por favor não invente. Falo de sacanagem, irei nas pontas.
Pensa que é facil sobreviver? No tempo das cavernas o perigo eram as feras, os trovões, o frio, as quedas e as fraturas. Moleza! Hoje o perigo é sair de casa, entrar no trânsito, comer na rua, pegar dengue, ser estuprada, assaltada, ser preto, pobre, ateu, mulher, viado, trans, petista. Perigo é olhar enviesado, esbarrar no cara errado, se envolver com psicopatas, narcisistas, criminosos e beber água na torneira.
Qual o sentido disso tudo senão viver a farsa civilizatória. Somos bichos perdidos nas metrópoles buscando a velha savana, sonhando com a sexta-feira, querendo fazer nada e fugir pra praia. Fomos feitos para o ocio, a preguiça e a procrastinação, todos socialmente condenados..
O ocioso é um estorvo, o preguiçoso, um pária, o pracrastinador um doente. A criança ativa recebe o rotulo TDAH e as doses de ritalina para civilizá-la. A outra é autista, ausente, delirante, incompreensível. Para todas tem psiquiatras e remédios capazes de ajustá-las à farsa.
Sacaram que não tem o menor sentido essa loucura? A evolução da consciência é se libertar da civilização, entrar na savana interna, achar o seu selvagem, a india perdida e abraçar o seu bicho guardado há milhões de anos na memória.
Fácil, fácil.



O problema do meu selvagem perdido é que gosta de bons vinhos...