top of page

O MEDO TEM MEDO DA FALTA DE MEDO

  • Foto do escritor: Arthur Andrade Tree
    Arthur Andrade Tree
  • 14 de jan.
  • 2 min de leitura


O medo é o alimento de si, precisa dele para existir em si. O maior pavor do medo é a falta de medo, essa alta conexão com a natureza, o respeito profundo por ela. Quando você conhece, quando aceita,  você respeita e respeito é coragem.

 

Coragem não é o oposto do medo. Coragem é o reconhecimento do medo e a capacidade de abraçá-lo porque coragem vem de coração. Portanto para existir, a coragem precisa do medo. Medo e coragem estão na mesma tribo, enquanto um recua, a outra avança.

 

Há no entanto o recuo estratégico, o uso do medo como camuflagem e isso também é coragem. Utilizar a aparência do medo para ludibriar o medo é uma das estratégias mais sofisticadas de enfrentamentos. As guerrilhas usavam. No século XII, Gengis Khan utilizava esse medo falso para enganar os adversários. O grupo de guerreiros fugia desesperado enquanto os inimigos os perseguia certos da vitória. No outro lado estava um grupo maior os esperando com suas flechas certeiras.

 

O medo consciente é uma das estratégias mais poderosas de luta. Essa forma de medo é coragem em mais alto grau. Nas artes marciais isso também é chamado de respeito, o alicerce, sua coluna vertebral. Se o oponente parece fraco, medroso, desconfie porque ali vai estar sua força. Jamais subestime os fracos. Mas desconfie dos fortes, dos que exibem força, dos que ameaçam e dos que falam alto. Esses são covardes dominados por vários medos – o maior de todos, ser descobertos medrosos.

 

Eu tinha medo da solidão, até que fui levado a ela como uma iniciação nas montanhas. Tinha medo das sombras entre as árvores, até que fui levado a elas quando me perdi na floresta. Sem perceber, fui abraçando o medo, dando carinho e voz a ele, até que me acolheu e passou a me proteger. Nada mais poderia me afetar, o medo reconfigurado me guiava como coragem. Quando aprendi isso, aumentou o meu respeito pelo caminho e a coragem pela caminhada.

 

MECANISMO DE SOBREVIVÊNCIA

 

O medo não é apenas uma emoção, mas um mecanismo de sobrevivência que depende de seu próprio reconhecimento para existir. Quando ninguém mais teme algo, o medo perde sua função, sua razão de ser, e desaparece como fogo sem combustível.

 

Como estrutura de poder, o medo opera em múltiplas dimensões. Na auto preservação teme sua própria obsolescência, a falta de ação, a doença. Ele requer manutenção constante através de leis, discursos e advertências para controle social. Como identidade psicológica, muitas pessoas desenvolvem suas marcas,  os modos de vida em torno de seus medos. Passam a ser conhecidos e reconhecidos pelos seus medos.

 

A ausência completa de medo representa um vácuo existencial que ameaça as hierarquias sociais baseadas na intimidação, os sistemas de controle que dependem da

ansiedade coletiva e os limites pessoais definidos pelo medo do desconhecido. Quando

pessoas e sociedades perdem o medo diante do que antes os aterrorizavam, começam as revoluções políticas, as inovações científicas e a liberdade psicológica no confronto dos próprios demônios. Estamos em uma fase de muitos medos, mas diante da possibilidade de todas as coragens.

 

 Hartur A

 

 
 
 

Comentários


  • Facebook
  • Instagram

©2024 por Bipolar News. 

bottom of page