O BRASIL É PACÍFICO, O MUNDO NÃO É VIOLENTO.
- Arthur Andrade Tree
- 17 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 18 de nov. de 2025

A violência reportada pela mídia equivale a menos de 0,04% da real. Mais de 99,995% da população do mundo não morre por homicídios, incluindo guerras, incluindo o trânsito. Aproximadamente uma em cada 19.300 pessoas no planeta é vítima de homicídio... por ano. O percentual global em relação à população mundial é de aproximadamente 0,0052%.
Mas por que a gente acha que o mundo é violento?
Porque o país mais bélico, com o maior complexo industrial militar, o mais interessado em violência é o mesmo que detém a maior indústria de comunicação e informação do planeta.
Mídias, internet, redes sociais, sistemas digitais e analógicos, estão todos a serviço da disseminação da violência. Inclua aí o cinema, salvo exceções, que faz da violência diversão, entretenimento. Inclua aí os jogos virtuais, as inocentes armas de brinquedo, os “inteligentes” jogos de WAR. O importante é fazer da brutalidade um prazer. Amplie para as relações afetivas, para o racismo, misoginias, xenofobias...tudo é parte do combo violência-medo.
A dinâmica indústria cuida de manter o Ocidente com a eterna sensação de “merda”. A violência, minha gente, é o principal produto de exportação desse lugar governado há três séculos por gente sem escrúpulos, aliás, pré-requisito para o posto. As poucas exceções foram mortas pelo estado profundo.
Esses governantes têm todos os interesses em manter acuadas as pessoas do mundo. Então, privilegiam o ódio e o medo como produtos de mercado. As guerras são mais que disputas geopolíticas. São campanhas de marketing para vender armamentos e lembrar ao planeta que o monstro anda solto e faminto. É uma indústria sofisticada. Até o crime se organizou com apoio logístico desse poder para sustentar o shopping center grotesco, cruel.
VIOLÊNCIA É DINHEIRO
Trilhões de dólares da balança comercial são gerados pela violência. Esse dinheiro alimenta o complexo industrial, remunera os investimentos dos bilionários e paga os maiores salários do Estado. Alguém acha que eles vão parar?
Mas qual é mesmo o papel da indústria da informação? É bem previsível: amplificar o fiapo de cabelo para que pareça um míssil transoceânico. Claro, o míssil existe, mas seu papel é muito mais gerar altas labaredas para assustar os vivos do que exterminar de fato tudo. Pessoas não são números, cada vida é necessária, mas para esse complexo industrial elas são peças dessa campanha global de demonstração força.
Fato é que a violência analógica, a de “verdade verdadeira”, está a milhares de quilômetros da vendida nos shoppings centers do medo. O mundo não é o que eles mostram. O mundo real é um lugar relativamente pacífico e esses números estão todos disponíveis, basta atenção na leitura.
A violência reportada pela mídia equivale a menos de 0,04% da real. Mais de 99,995% da população do mundo não morre por homicídios, incluindo guerras, incluindo o trânsito. Aproximadamente uma em cada 19.300 pessoas no planeta é vítima de homicídio... por ano. O percentual global em relação à população mundial é de aproximadamente 0,0052%.
Ainnn, mas o Brasil é violento, ele não integra esses percentuais mundiais!! Isso seria se a grande mídia daqui contasse a verdade. De novo os números da Organização das Nações Unidas. Por ano, cerca de 43 mil pessoas no Brasil morrem vítimas de algum tipo de violência, incluindo o trânsito. São números consideráveis, mas eles representam 0,021% da população de 210 milhões de habitantes.
Esses números se referem às vítimas, não aos autores que podem ser responsáveis até por vários casos. Ou seja, a chamada população criminal ativa ou “ofensores crônicos” representam percentual ínfimo, girando em torno de 0,006% a 0,02% da população.
A VIOLÊNCIA É OUTRA
Por que a sensação é de violência extrema, de perigo em cada esquina? É só abrir os jornais de sempre, assistir aos canais sangrentos e acessar redes sociais que tratam a violência como o melhor cardápio de notícias. De tanto oferecer violência como pauta destacada o público passa a achar que ela é de fato o prato principal.
Então é uma festa quando um governador sem escrúpulos envia 2.500 homens pretos para matarem outros pretos. De repente aquele cenário de caos construído pelo poder vira a imagem do país inteiro. Vale lembrar que o Brasil não é a floresta da Misericórdia, nem as ruelas da Penha, no Rio. Aliás, o Rio não é a Misericórdia. Mas o que importa é a sensação.
Enquanto o complexo midiático distrai o povo, a verdadeira violência segue olimpicamente omitida ao tempo em que devasta silenciosamente. Ninguém fala, ninguém esbraveja, bate na mesa, todos se calam diante dela. Os números das doenças simplesmente não existem.
Se 43 mil morrem por algum tipo de violência física, mais de 400 mil morrem de cancer e cardiopatias por ano no Brasil. É dez vezes mais gente que as vítimas de violência. E isso não gera sensações. No mundo, esses números são mais alarmantes, acima de 30 milhões perdem a vida por ano massacradas por outro complexo industrial, o alimentar e o farmacêutico. Mesmo que a realidade seja completamente diferente da exibida, o que fica registrada é a sensação vendida. E assim, em cima de sensações, a história oficial no Ocidente é construída.
Hartur A



Artigo inteligente e bem construído. Você não busca negar a existência da violência, mas desmistificar sua escala e seu papel na sociedade capitalista. É um convite para sairmos desse ciclo de consumo do medo e para questionarmos o que, de fato, está sendo vendido a nós. Sim, devemos abrir os olhos…