A MENOPAUSA É O MEDO DOS HUMANOS
- Arthur Andrade Tree
- 24 de mar. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 27 de mar. de 2025
A menopausa não é da natureza, não é de Deus. A menopausa é o medo dos humanos.

A imensa maioria dos mamíferos não passa pela menopausa, ou seja, as fêmeas continuam a se reproduzir até o final de suas vidas. Se nós viemos dos macacos, algo está errado porque macacos e gorilas não têm menopausa.
A natureza favorece a reprodução contínua para garantir a sua sobrevivência. A menopausa contraria isso, o que me parece uma anomalia.
Apenas humanos têm menopausa. Há registros semelhantes entre orcas e baleias-nariz-de-garrafa, dentre as centenas de milhares de espécies. Mas as orcas estão em extinção, sua população estimada no Pacífico é abaixo de 400 animais. As baleias-nariz-de-garrafa estão igualmente ameaçadas pela poluição sonora (submarinos) e mudanças climáticas. Ambas ainda sobrevivem sob estresse constante.
A ciência teoriza sobre a menopausa como uma possível estratégia de sobrevivência quando as fêmeas, em determinado momento, passam a não reproduzir para cuidar dos filhotes e compartilhar conhecimento. É a síndrome da avó. Isso me parece cultural e não instintivo.
A ciência não avança, empacou nessa ideia. Não há segurança histórica sobre a reprodução das mulheres do neolítico, se a menopausa existia entre as nômades do passado, ciganas e nativas da antiguidade profunda.
Médicos como o grego Hipócrates (século IV a.C.) e o romano Galeno (século II d.C.) descreviam sintomas associados ao fim da menstruação. Eles observavam que as mulheres mais velhas paravam de menstruar e relacionavam isso ao envelhecimento. Nesses tempos, a velhice começava aos 30 anos. Aos 40, a mulher era uma idosa em fim de carreira. Hoje pode-se viver além dos 90 e a menopausa continua a partir dos 30, aos 45, às vezes aos 28.
MENOPAUSA E AS GUERRAS
Mas vale observar que naqueles tempos as guerras dominavam o mundo antigo, sobretudo Grécia e Roma. As mulheres de Atenas e as romanas viviam sob constante e violento estresse.
Minha teoria é que a menopausa é um fenômeno cultural e ambiental, ou seja, um fenômeno epigenético.
Em algum momento as mulheres “recusaram” reproduzir para poupar os filhos das guerras do futuro. O mesmo ocorre hoje quando mulheres jovens evitam filhos diante do mundo instável que se apresenta. O medo dos humanos.
A violência crescente das cidades, as mudanças climáticas, as doenças neonatais, o custo financeiro de cada filho estressam os casais a ponto de evitarem o “sacrifício” dos filhos. O corpo quântico, epigenético, compreende a mensagem e trava a chave da reprodução. Como é algo fora da natureza, o sistema sente, fica ferido, inflama e resulta no que chamamos de sintomas de menopausa, terríveis, dolorosos, antinaturais. O corpo só sofre quando é maltratado.
O termo surgiu na França do século 19, 1816, a partir do médico Charles-Pierre-Louis de Gardanne. Nessa época, começou-se a estudar mais sistematicamente os sintomas associados ao fim da fertilidade feminina. Foi um tempo de explosão de menopausadas.
Mas como era a França nessa época?
O período era de extrema adversidade para as mulheres, especialmente as pobres. Guerras, industrialização selvagem, leis opressivas e falta de direitos básicos as colocaram sob enorme estresse físico e emocional. Apesar disso, foi também uma época em que as primeiras vozes feministas começaram a desafiar o sistema.
O legado da Revolução Francesa, 1789 a 1799, continuou a influenciar o século 19. Foi a era napoleônica, com guerras constantes, recrutamento dos homens e mulheres sozinhas como chefes de família. A monarquia foi restaurada com o retorno dos Bourbons e a consequente e violenta repressão aos direitos femininos. Dezoito anos de intensos conflitos urbanos de 1830 a 1848, com miséria, fome e desemprego. Napoleão III assumiu o país em 1852 com mais autoritarismo. Mais uma vez as mulheres foram massacradas com mais miséria, fome e repressão após a derrota humilhante na guerra Franco-Prussiana em 1870. É pouca coisa?
No período em que se passou a estudar sistematicamente a menopausa, o mundo de homens e mulheres era um inferno. Os casos de estresse agudo explodiam como pólvora. Mulheres eram consideradas histéricas, loucas, como se fosse fácil viver em um ambiente desgraçadamente insano. Além disso, chega a Revolução Industrial.
Começa a migração em massa para as cidades e as condições de trabalho precárias em fábricas. Mulheres e crianças trabalham em jornadas extenuantes de 18 horas por salários ínfimos. A burguesia impõe um modelo de "mulher doméstica" (Angel of the House), enquanto as pobres lutam para sobreviver.
As taxas de mortalidade infantil explodem e os partos ficam cada vez mais perigosos. Diante disso, o que faz o corpo? Trava para sobreviver. Isso é epigenética. A mensagem é transferida através das gerações, assim como plantas, animais e baratas o fazem para sobreviver. Logo, os sintomas de menopausa do século 21 começaram nos primeiros grandes estresses das primeiras guerras da antiguidade profunda.
Portanto, a menopausa não é da natureza, não é de Deus. A menopausa é o medo dos humanos.
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MAMÍFEROS QUE NÃO PASSAM PELA MENOPAUSA
1. Terrestres
- Felinos (leões, tigres, gatos domésticos). As fêmeas continuam a ter ciclos reprodutivos até idades avançadas.
- Canídeos (lobos, cães, raposas). Também não apresentam menopausa.
- Roedores (ratos, camundongos, esquilos). Reproduzem-se até o fim da vida.
- Primatas (exceto humanos). Macacos e gorilas, por exemplo, não passam pela menopausa.
2. Aquáticos
- Golfinhos (exceto orcas e a baleia-nariz-de-garrafa). A maioria dos golfinhos não apresenta menopausa.
- Focas e leões-marinhos. As fêmeas continuam a se reproduzir até idades avançadas.
3. Mamíferos de grande porte.
- Elefantes. As fêmeas continuam a se reproduzir até o final de suas vidas, embora a fertilidade diminua com a idade.
- Girafas. Também não apresentam menopausa.
4. Domésticos
- Vacas, ovelhas, cabras. As fêmeas dessas espécies continuam a se reproduzir enquanto estão saudáveis.
@Arthur
Fontes: Pesquisas na Internet, Google, DeepSeek, Riane Eisler (Cálice e a Espada), Bruce Lipton (Biologia da Crença), Sidarta Mukherjee (A Canção da Célula), Renato Mocellin (As Mulheres na Antiguidade), Lisa Mosconi (O Cérebro e a Menopausa).



Parabéns pela pesquisa e pelo oportuno e excelente texto!
Já estou aguardando os capítulos seguintes...
"Em algum momento as mulheres “recusaram” reproduzir para poupar os filhos das guerras do futuro. O mesmo ocorre hoje quando mulheres jovens evitam filhos diante do mundo instável que se apresenta. O medo dos humanos"
Nossaaa! Esse foi um dos principais motivos que me fizeram evitar filhos...
Maravilha de texto e assunto pertinente demais em nossos "tempos modernos"...