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HOSPITAIS DO FUTURO COM VENTO E SOL NA CARA

  • Foto do escritor: Arthur Andrade Tree
    Arthur Andrade Tree
  • 20 de abr. de 2025
  • 3 min de leitura

 

A pessoa entra em um hospital do século XXI sem a menor garantia de sair viva. Essas unidades primitivas são iguais às do século XX com resquícios do XIX.

 

O filho de uma amiga, talentoso, genial, 24 anos, morreu há poucos dias em um hospital de ponta de Salvador. Entrou na Semana Santa de 2024 e saiu na Semana Santa de 2025, um ano entre UTIs e semi UTIs. Procedimentos tecnicamente corretos, medicações de altíssimo custo, transplantes, incertezas, esperanças e a impotência. Não houve jeito, todos recursos possíveis foram derrotados por um miserável fungo nascido e criado no hospital de ponta.

 

Hospitais estão entre os habitats desses mutantes sem compaixão. São atraídos por ambientes fechados, umidade, refrigeração central, com filtros inadequados e descontaminações ineficientes. Estão entre os causadores das famosas infecções hospitalares. A grande contradição é que locais feitos para eliminar infecções são eles próprios causadores. Estou convencido de que hospitais são como organismos vivos geradores de vírus, bactérias e fungos próprios, cada vez mais musculosos, inteligentes, astutos e imortais.

 

HOSPITAIS DO FUTURO

 

Eles deveriam ser como motéis, entrou, gozou e saiu. Para passar mil e uma noites, esses monstrengos fechados são broxantes e viram roleta russa. Enquanto existirem hospitais nesse formato primitivo de vidro e cimento, irão existir mortes evitáveis. Por um simples motivo: não existe garantia de cura onde há doença entranhada em todos os poros, paredes e andares.

 

Hospitais do futuro não serão verticais mas horizontais, em reservas florestais, com janelões, luz do sol, árvores no entorno, vento, pássaros, micos curiosos, relinchos, barulho das ondas. Esses lugares de tratamento serão integrados à natureza, o principal remédio para todos os males. O que o jejum e a natureza não curam, nada mais cura, dizia um sábio e antigo professor japonês.

 

POMBOS NOS QUARTOS

 

Um ousado arquiteto baiano tentou levar a ideia de hospital conectado à natureza para a Rede Sarah de Salvador. Instalou dutos superiores voltados para a orla a fim de captar vento do mar e reduzir o sistema de ventilação central. Os dutos levavam o ar puro diretamente para os quartos, ambulatórios e centros cirúrgicos. A ideia foi abortada quando morcegos e pombos passaram a voar entre os pacientes. Uma simples tela resolveria o incômodo, mas a direção decidiu encerrar o projeto, ousado demais para os anos 90.

 

Voltando aos mutantes indestrutíveis, a síndrome fúngica  é condição clínica associada à exposição de fungos ou seus subprodutos, toxinas e esporos. Essa condição pode desencadear resposta inflamatória no organismo, levando a uma variedade de sintomas.


O tratamento é complexo e exigiria o imediato afastamento da pessoa do ambiente, o que não ocorre. Em vez disso, o protocolo manda injetar todos os tipos de bombas químicas nos pacientes para que uma delas tente destruir as células terroristas. A cada bomba, os bichos ganham expertise e novas resistências. O objetivo deles é dominar o território, o planeta, o universo até levar à rendição completa do hospedeiro.

 

PRINCIPAIS FATORES DE RISCO EM HOSPITAIS

 

Infecções fúngicas são graves ameaças em hospitais, especialmente em UTIs e unidades oncológicas. Pacientes imunodeprimidos com câncer, em quimioterapia, transplantados (medula, sobretudo) são os mais vulneráveis. Também são vulneráveis os que fazem uso de cateteres venosos centrais, ventilação mecânica e nutrição parental.

 

As inflamações levam ao uso de antibióticos de amplo espectro que alteram a microbiota e favorecem o crescimento de fungos como o Aspergillus spp. Esses podem se disseminar por sistemas de ventilação.


Os diagnósticos são difíceis, demorados e a crescente resistência desses organismos a antifúngicos é um desafio até agora intransponível.

Pesquisas inovadoras começam a utilizar substâncias Cavalos de Tróia para confundir e derrotar os fungos por dentro. Mas ainda estão no começo dos estudos na Suécia, onde esses bichos insaciáveis, crias da civilização moderna, também vão buscar vítimas.

 

 

 
 
 

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