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HOSPITAIS DO FIM DO MUNDO

  • Foto do escritor: Arthur Andrade Tree
    Arthur Andrade Tree
  • 25 de abr. de 2025
  • 4 min de leitura

 

Hospital Del Mar, Espanha
Hospital Del Mar, Espanha

Ao desmerecer o papel de uma Unidade de Terapia Intensiva, o ex-presidente nada mais fez do que escancarar a falta de seriedade com que a vida é tratada no mercado privado de saúde. Ou de doença. Radicalizando, Bolsonaro mostrou o fracasso desse modelo de instituição.


Em um dos hospitais mais caros do país, o DF Star Brasília, uma UTI deixou de ser lugar de vida e morte para virar palco de uma farsa. O ex-presidente Bolsonaro, a título de escapar da Justiça, ali se instalou com assessores e equipes de filmagem para fingir-se muito doente. Com a cumplicidade de médicos e da diretoria, Bolsonaro fez o que sempre fez, jogou no lixo o respeito às dores passadas e futuras para lacrar.     


Fez lives, vendeu capacetes, reuniu-se com políticos e gritou com médicos feito o déspota de sempre. Tudo isso dentro de uma UTI, transmitido para o mundo pela internet.


Ao desmerecer o papel de uma Unidade de Terapia Intensiva, o ex-presidente nada mais fez do que escancarar a falta de seriedade com que a vida é tratada no mercado privado de saúde. Ou de doença. Radicalizando, Bolsonaro mostrou o fracasso desse modelo de instituição.


DOENÇAS BUSINESS


Hospitais são caixas lacradas de cimento, ferro e vidro. O ar que circula é artificial. A respiração de doentes, visitantes e profissionais é trocada entre todos, como o fumar passivo. Vírus, bactérias e lixo habitam o mesmo ambiente assim como os produtos tóxicos de limpeza. Por mais cuidados e engenharias envolvidos nessas assepsias, os microrganismos cada vez mais inteligentes conseguem burlar vigilâncias. Hospitais salvam apenas pessoas já salvas por suas imunidades em dia. As demais “não resistem ao tratamento”.  


A indústria da saúde se movimenta em torno da doença. Os processos não curam, apenas mantêm o paciente vivo em condições de consumir. É como uma rede. A indústria de cigarros agora transita pelos alimentos ultra processados, bebidas e medicamentos.


Com o aperto das legislações contra o fumo, empresários do tabaco diversificaram seus investimentos nos alimentos, assim como grandes farmacêuticas. Pfizer, Bayer, Nestlé Health Science, Danone Nutrícia, Bayer e Abbott  passaram também a investir em hospitais, financiar pesquisas, patrocinar congressos e pagar passagens internacionais para médicos, nutricionistas, psicólogos etc.


Conheço médicos que juravam nunca aceitar passagens de farmacêuticas até precisarem participar de congressos para reforçar currículos. O cerco é agressivo. Representantes costumam ter acesso livre aos consultórios. Mulheres se perfumam e se maquiam para visitar os médicos. Os homens visitam as médicas. A estratégia de sedução tem único objetivo: vender medicamentos. Nesse ambiente promíscuo, gordas comissões também podem cair nas contas de médicos. O mesmo processo alcança nutricionistas.


Recente congresso de Nutrição, em Buenos Aires, foi patrocinado por empresa de bebidas açucaradas do ramo cola. No intervalo das palestras, foram servidos refrigerantes, sucos de caixa, docinhos e salgados de trigo com carne processada. Protestos de alguns participantes levaram à substituição dos refris e sucos por água mineral da mesma empresa. Um congresso de nutrição patrocinado por uma empresa de refrigerantes equivale a um encontro de suicidas promovido por uma empresa de venenos.  

 

HOSPITAIS NA NATUREZA


Koo Tech Puat, Singapura
Koo Tech Puat, Singapura

Olhando para esse cenário de pavor, parece que não há saída. Mas há. E ela se chama Unidades de Saúde com Arquitetura Bioclimática e Integração Natural, os hospitais na natureza.


Em Singapura, Ásia, o fantástico “Khoo Teck Puat” é um hospital dentro de um jardim com mais de 700 espécies de plantas, lagos e áreas abertas. Os telhados são verdes, as paredes vivas, a ventilação cruzada natural, sons de água corrente e pássaros. O resultado é queda do estresse de pacientes e maior satisfação dos profissionais.


Medicamentos alopáticos são reduzidos assim como uso de analgésicos, queda de 40%. A tratamento para dor em até 70% dos pacientes é com acupuntura, ayurveda e fitoterapia controlada. O índice de satisfação chega a 90%.


O “Maggie's Centers”, no Reino Unido, tem o mesmo conceito de natureza voltado para pacientes com câncer. Projetado pelo renomado arquiteto Frank Gehry, o hospital horizontal é instalado em meio a jardins terapêuticos. A luz natural é abundante, espaços de tratamento são ao ar livre feitos também para caminhadas e meditações. As construções utilizam madeira e pedras.


No “Amano Hospital”, Japão, o destaque é a maternidade com salas de parto na natureza. Mulheres podem dar à luz em ambientes com iluminação natural, sons de água e de florestas. O tratamento utiliza aromaterapia e outras técnicas integrativas.


O “Helligkilde”, na Dinamarca, radicalizou no conceito como Hospital Floresta. Pacientes fazem trilhas e terapias ao ar livre com caminhadas guiadas, práticas de Tai Chi e outras integrativas. Salas e quartos têm vista para os bosques.


No “Chris O’Brien Lifehouse”, na Austrália, o destaque são os telhados verdes e jardins internos com plantas nativas. Os pacientes estão diretamente em contato com sol e vento.


O “Hospital del Mar”, na Espanha, é instalado à beira mar, em Barcelona, com vistas para o oceano nos quartos e áreas comuns. Pesquisas feitas na unidade mostraram que pacientes diante do mar têm menos necessidade de analgésicos.


Na Holanda, algumas maternidades oferecem “quartos de parto ao ar livre” em áreas rurais, com banheiras de parto em jardins privativos. Em Bali, na Indonésia, o hospital “Bumi Sehat” tem salas abertas com vento natural e sons da natureza para partos humanizados.


CURA COMO META


Todas as experiências relatam menor percepção da dor em pacientes com acesso à natureza. Sons de pássaro e ondas do mar reduzem o cortisol  e aceleram a recuperação nos quartos com luz do sol.  


Um dos desafios é a manutenção das áreas verdes e da infraestrutura aberta pelo custo elevado. Hospitais natureza instalados em áreas urbanas têm alguma dificuldade em controlar a poluição sonora e do ar, mas tudo administrável.


Fato é que a integração entre natureza e saúde já é realidade em vários países, especialmente Singapura, Dinamarca e Japão. No futuro, a tendência é que mais hospitais adotem esses designs na busca da cura como meta e não mais da doença como business.     

 
 
 

1 comentário


Tânia
25 de abr. de 2025

"Conheço médicos que juravam nunca aceitar passagens de farmacêuticas até precisarem participar de congressos para reforçar currículos"

Assim como existem médicos que deixaram de ser convidados a expor seus trabalhos em Congressos, por não continuarem a compartilhar de falsas teses "cientificamente comprovadas"...


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