ENFIM, VIRAREMOS UM MITO
- Arthur Andrade Tree
- 18 de jun. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 20 de jun. de 2024
Todas as civilizações têm suas histórias de destruição. As religiões abraâmicas falam do dilúvio de Noé, os Maias, de Huracan de onde vem o termo furacão, os Sumérios têm o dilúvio descrito em Gilgamesh, os pré hawaianos falam do dilúvio de Nu'u. A Atlântida desapareceu engolida por um terremoto e um dilúvio. Os tupinambás, no Brasil, falavam de um grande dilúvio que afogou seus ancestrais, exceto os que sobreviveram em canoas e nas árvores altas. Ah, mas tudo isso é mito! O negócio é o seguinte: um mito é folclore, dois mitos são coincidência mas quarenta "mitos" de dilúvios em lugares completamente distantes e distintos, tenham dó.
Todo mundo sabe o que é dilúvio, uma massa gigantesca de água e vento que devasta tudo que encontra. O que aconteceu no Rio Grande do Sul foi uma preparação, um pré ensaio, a fase inicial, a pré produção. A peça completa será o próximo dilúvio que já se desenha. O título será "Eu Também Avisei".
Primeiro haverá um estrondo quase inaudível, um buumm de “surround”. Ele crescerá ate se tornar o rugido do leão da Metro, dentro do ouvido. Então virá o terremoto, mas não qualquer terremoto.
Nem os mais aterradores efeitos especiais do cinema conseguiriam imitar a fúria do planeta. Seremos como formigas varridas da rua com jatos possantes de água. O marzão se levantará em ondas de três quilômetros de altura e o vento atingirá 1.600 km por hora. Dizem os especialistas que o planeta dará um freio de arrumação, sairá dos seus 1.700 km por hora para zero. Tudo que é terra vai estancar, mas o que é água e vento vai voar como alguém sem o cinto de segurança na moto a 1.700 por hora.
Milhões de pessoas que antes caminhavam nas avenidas serão lançadas no turbilhão como poeira. Os edifícios, as mansões e os casebres serão palitos destroçados em São Paulo, Porto Alegre, Nova Iorque, Moscou, Pequim, Ouro Preto e Xique Xique. Os Andes irão tremer como samambaias ao vento, os Alpes serão arrancados das suas bases, nada restará para contar nossa história. No futuro, dez mil anos depois, seremos mais um mito.
QUE VENHA!
O último grande dilúvio foi há cerca de 6.500 anos, confirmam arqueólogos e outros pesquisadores depois de muito nhém nhém nhém. Há evidências de grandes destruições na China e no Mediterrâneo, no Atlântico e na Antártida. As calota polares se movimentaram no passado. Onde havia exuberância virou um deserto gelado. No futuro, onde hoje há abundância haverá um novo deserto de gelo. Deve ser difícil para esses pesquisadores dormirem em paz depois das evidências dos desastres expostas nos seu equipamentos.
Para a gente que se acha a última bolacha do pacote é bom saber que somos apenas mais uma civilização caótica. Antes de Pangéia (o supercontinente antes dos atuais) existiu Gondwana há 400 milhões de anos. Antes existiram Rodineia, Columbia, Atlantica Ártica, Kerland, Valbara, todos super continentes que se fragmentaram, dividiram e alguns viraram lama. No futuro dilúvio, os poucos sobreviventes acordarão na idade da pedra. Depois de sete dias e sete noites de pauleira, o cenário se mostrará devastador. O mar e o vento se acalmarão mas os que sobreviverem sentirão inveja dos mortos.
Seria bom se fosse viagem de ácido, um puta delírio de mescalina. Não é. Todo mundo viu o mini dilúvio no RS, uma coisinha de nada, um diluvinho. Um estado cheio de gente de nariz empinado virou monte de lama em apenas um dia, mas foram vários dias. Quantos mortos, quantos desaparecidos? Os tchê aprenderam alguma coisa? Alguns sim, um monte não, o nariz voltou a empinar.
Por mais que a gente se assuste com dilúvios, eles serão necessários para resetar a humanidade que tá, que tá. Os bons serão rapidamente alçados ao topo das ondas e levados pelas naves. Os maus serão devorados por feras saidas do fundo dos oceanos cheios de plásticos e lixos civilizatórios. Isso não é um desejo.
FIM.




ENFIM. VIRAREMOS UM MITO!...mas para quem????