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AS TRÊS GREVES DE FOME DE GLAUBER

  • Foto do escritor: Arthur Andrade Tree
    Arthur Andrade Tree
  • 12 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 18 de abr. de 2025

A fome é um dos maiores traumas da humanidade. Vai além da falta de alimentos, deixa feridas profundas que duram gerações. Ela destrói corpos, mentes e sociedades, gera ansiedade, desespero e humilhação. Vítimas da fome crônica desenvolvem depressão, estresse pós-traumático, comportamentos compulsivos e morrem. Antes de matar, a fome degrada.

 

Cerca de 740 milhões de pessoas são subalimentadas ou cronicamente famintas no mundo. Outras 2,4 bilhões não têm acesso regular a alimentos nutritivos (FAO 2024).  As mortes chegam a nove milhões por ano, mais do que malária, tuberculose e Aids.

 

Nos países da África Subsariana Somália, Sudão do Sul e Madagascar, 28% da população têm níveis extremos de fome. No Afeganistão e Iêmen é alarmante. No Haiti, 48% da população não tem alimento.

 

Guerras e conflitos (Ucrânia, Sudão e Gaza) são responsáveis por 60% da fome global. Crises climáticas, secas e enchentes, afetam colheitas na África Oriental e América Central. A desigualdade econômica é outra causa da fome – 10% dos ricos consomem 40% dos alimentos.

 

A fome já foi usada como instrumento de opressão política, arma de guerra (nos cercos militares) e de controle social (em regimes autoritários). Governos de extrema-direita negligenciam políticas contra a fome, praticando violência de Estado.

 

No Brasil, onde milhões ainda vivem na insegurança alimentar, a atual greve de fome de Glauber Braga é um grito de alerta sobre políticas para mitigar esse sofrimento? É esse o motivo da greve?

 

FOME DE QUÊ?

 

Essa é a terceira greve de fome do deputado em dois anos. A primeira em 2023. O parlamentar exigia a anulação do seu indiciamento no inquérito sobre suposto financiamento por milicianos. Ele negou as acusações e afirmou que o processo era perseguição política. O caso não foi arquivado e as investigações prosseguem.

 

Na segunda greve, em abril de 2024, ele alegava perseguição do Ministério Público do Rio de Janeiro que estaria usando o caso anterior para criminalizar a oposição.  Glauber reivindicava transparência nas investigações e fim do "lawfare".  Mobilizou a base do PSOL e aliados, mas sem avanços significativos – ele continua indiciado e o caso segue em tramitação.


Essa terceira greve de fome é para tentar barrar processo (injusto) de cassação do seu mandato na Câmara dos Deputados. O motivo exposto é falta de decoro parlamentar - Glauber reagiu a série de ofensas de um militante do grupo MBL de extrema-direita, o que levou a uma denúncia formal. Mas o motivo real seria afastar o combativo e provocativo parlamentar dos debates na Câmara.


Nas greves anteriores, Glauber obteve sucesso por um lado - conseguiu chamar atenção para sua causa. Mas fracassou no principal, nenhum dos processos foi arquivado. As greves funcionaram mais como pressão simbólica do que como mecanismo para mudanças jurídicas. O ganho político foi o fortalecimento entre seus apoiadores de sua imagem. Nesta atual greve, o resultado é uma incógnita.

 

Mas cabe agora uma reflexão: é ético usar a fome, essa condição degradante, como instrumento de luta pessoal, dessa vez em ambiente refrigerado, com acompanhamento médico, sucos, isotônicos, filmes na TV e cobertura da mídia?

Afinal, fome de que?



 
 
 

1 comentário


Convidado:
17 de abr. de 2025

Discordo desse instrumento como luta, porque poucos se sensibilizam com a fome real no mundo, numa greve de fome politica, penso que menos ainda.

Mas torço p q ele saia vitorioso. Embora não creia nisso, com esse CN fazendo o que quer e dando o tom.

A sociedade precisa ir às ruas, para cobrar dos parlamentares, pautas do seu interesse.

Mas parece q os movimentos sociais estão em greve de fazer mobilização e com isso, deixando a "boiada passar".

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