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VIVEMOS FORA DO HABITAT

Foto do escritor: Arthur Andrade Tree
Arthur Andrade Tree
2 de abr.
2 min de leitura

A doença, em guerra com a cura, está vencendo.

 

A cura não vai estar no mesmo lugar da doença assim como a paz, no mesmo lugar da guerra.  Paz e guerra assim como doença e cura são divergentes, precisam de distância uma da outra. Um lugar doente não gera saúde.

 

A doença é resultado de guerras internas, ambientes saturados de explosões. Tentar encontrar cura dentro desse sistema enfermo é como tentar limpar a lente usando o mesmo pano sujo que a embaçou. A cura exige mudança de referencial.

 

Se o caos urbano gera doença, a cura vai exigir sair do caos.  Estados vibratórios opostos não podem coexistir no mesmo espaço de consciência. São inimigos, estão em guerra, e o território que os sustentam será destruído mais cedo ou mais tarde.

 

Essas guerras começaram há 6.000 anos quando surgiram as primeiras cidades e os humanos cobiçaram as ovelhas alheias. As guerras aumentaram em poder destrutivo há meros 200 anos quando as cidades viraram grandes demais e os humanos passaram a cobiçar o país alheio, a vida alheia.  

 

Logo as cidades viraram ambientes infectados, as pequenas com suas pestes e surtos de malária e tantas outras, às grandes com suas epidemias de câncer, diabetes, depressão e mais de 85 mil doenças catalogadas. A cada ano duas novas surgem. A produção é inesgotável.

 

Então viraram armadilhas. Cheias de estímulos como iscas, as cidades atraíram as presas e as confinaram em caixas de papelão e cimento com promessas de poder e futuro. Bilhões de humanos aprisionados nesses porões adoecendo. Todos fora do habitat original, a natureza.

 

Considerando que a espécie homo existe há pelo menos 3 milhões de anos, milhões... 6 mil anos é um grão e 200, uma molécula. Por cerca de 2,8 milhões de anos estivemos espalhados no planeta entre árvores, mares, lagos, pedras e fogueiras. Vivemos sob o sol de rachar sem cancer de pele e sob a chuva sem resfriado ou medo de água. Vivemos como nômades sem propriedade privada e sem precisar de infectadas academias de ginástica. Esse era o nosso habitat, a natureza na sua exuberância.

 

Então, decidimos abandoná-la e parar como sedentários. Em uma fração de tempo mudamos tudo. Mexemos na varanda e no quintal. Derrubamos o que passamos a chamar de lixo, árvores no caminho de estradas.

 

Mas, se serve de consolo,  nunca perdemos as partículas primordiais da natureza em nossos corpos. São essas partículas que mobilizam milhões de ansiosos a pegar estrada a cada feriadão. Involuntariamente, todos buscam um retorno ao habitat nas praias, nos campos, nas montanhas. E levam para esses pacatos lugares, latas de cerveja, garrafas de whisky, carne dos churrascos, salgados das crianças e muito, muito barulho. A doença impregnada no corpo acompanha os humanos e não tem mais volta. Toda promessa de saúde apresentada nas redes é mais um lance do marketing voraz vendendo cura dentro do mesmo sistema doente. Não caia, é golpe.  

 
 
 

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