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VEGANOS OBESOS

Foto do escritor: Arthur Andrade Tree
Arthur Andrade Tree
16 de mai.
4 min de leitura

Atualizado: 17 de mai.

Embora no imaginário o veganismo seja associado à perda de peso e a biotipos magros, a realidade é outra. Cresce no mundo o número de veganos obesos e gordos.  


Estudos como o Adventist Health Study-2 mostram os números da balança. Em pesquisa feita em 2023 com 70 mil participantes, os veganos representavam 10% dos obesos, os lacto-ovo-vegetarianos 17%, os semi-vegetarianos 27% e os onívoros (carnívoros) 33%. O alto índice de onívoros obesos não é novidade, novidade são os veganos e os vegetarianos.

 

Nem precisa pesquisar muito para saber que a causa dessa mudança está na indústria. O poderoso complexo industrial alimentício caiu pra cima do mundo vegano. Como deixar passar batido esse público consumidor classes A e B, com dinheiro na conta e disposição para gastar com alimentos saudáveis, ops!, nem tão saudáveis assim!

 

COCA-COLA VEGANA

 

Dá pra imaginar que a Coca-Cola Company é por natureza uma empresa vegana?

Seus refrigerantes não contêm derivados de carne, leite, ovos ou insetos. A Coca é puro açúcar com café e variações de sabores baunilha e cereja. Sprite, Fanta, Schweppes também são veganos.

 

A empresa ainda produz leite vegetal AdeS a base de soja e amêndoas, fortificado com vitaminas. A Coca-Cola ainda é dona de imensa rede de cafeterias, com chás, bebidas isotônicas, água mineral, um mundo de “produtos veganos”. Em alguns países o açúcar refinado dos refrigerantes passa por um processo de filtragem que utiliza carvão de ossos de animais. No Brasil e Europa, essa filtragem foi proibida tornando o processo mais seguro e “confiável” para os veganos.

 

Nestlé, Danone, Kraft Heinz, PepsiCo, General Mills e Cargil são agora forças centrais dos alimentos veganos. Avaliado em US$ 30 bilhões (2025), o mercado deve crescer a taxas de 12% ao ano até 2035. 

 

A grandes têm pressa. No ano passado, 2025, a Danone comprou a Kate Farms, especializada em nutrição à base de plantas. A Nestlé aumentou sua participação na Orgain, líder em proteína vegetal em pó, e a Kraft Heinz lançou sua própria linha de sobremesa vegetal com a marca JELL-O.

 

O conglomerado está investindo pesado. Após percalços com a "carne vegetal" (não teve a saída esperada), a indústria está atacando na nova onda, o leite vegetal. Diferente da “carne”, o leite está em expansão. A Nestlé anda bancando pesquisas em universidades para a produção do leite vegetal em pó.

 

VEGANO INDUSTRIAL

 

Com tanto produto vegano industrializado, o número de obesos só tende a crescer.

Mercados de produtos naturais, antes discretos com suas cores de grãos e vegetais autênticos, hoje se enchem de vermelho, amarelo, azul das embalagens e garrafas de plástico, leite vegetal em tetra-pak e pacotinhos de biscoitos feitos em série. Uma rápida conferida, lá estão pessoas com sobrepeso entre o público consumidor.

 

Outros centros de prazer procurados por veganos são as padarias, os restaurantes de massas e lógico, as pizzarias. Algumas são especializadas em pizzas veganas com queijo vegetal, número que cresce. Ocorre que as massas são hiper calóricas e inflamatórias. Para virar uma bomba completa, basta um molho de tomate com açucar refinado. Com todo esse quadro já dá pra perceber que o mundo vegano cooptado pela indústria é uma armadilha.  

 

VEGETARIANOS VERSUS VEGANOS

 

Robby Barbaro e Cyrus Khambattam, dois americanos com Diabetes tipo 1, ambos veganos, criaram um dos maiores programas de mentoria para diabéticos do mundo. O programa é baseado na alimentação estritamente vegetal. Não entram industrializados. Os carboidratos são os complexos cheios de fibras combinados com gorduras, abacate, castanhas e sementes. Eles estão provando que a alimentação de verdade ajuda a controlar o diabetes. Nos EUA o PCMR (Physicians Commitee for Responsible Medicine) reúne 12.000 médicos que trabalham com dieta vegana para tratar diabetes - não utilizam industrializados.

 

O veganismo como conceito estruturado surgiu na Inglaterra na década de 1940. Mas sua base filosófica é milenar.  A prática de evitar produtos de origem animal já existia na antiguidade por razões éticas, filosóficas e espirituais. Há mais de 2.500 anos, o Hinduismo, o Budismo e o Jainismos pregam o Ahimsa – a não violência contra todos os seres vivos. Filósofos gregos como Pitágoras (“pai do vegetarianismo” no Ocidente), Porfírio e Plutarco defendiam dietas sem carne por motivos éticos e espirituais. Até o Século XIX quem não comia carne era muitas vezes chamado de “Pitagórico”.

 

Com o avanço dos direitos humanos na Europa no século XIX, o movimento vegetariano começou a se organizar. Era então permitido laticínios e ovos. Em 1944 um marceneiro inglês com mais cinco pessoas fundou a Sociedade Vegana (The Vegan Society) recusando o uso de ovos e laticínios.  Eles precisavam só de um nome para diferenciar da Sociedade Vegetariana. O que começou com uma dezena de pessoas no pós-guerra, se expandiu globalmente. Hoje é uma poderosa indústria com todas suas contradições.

 

O veganismo não usa nada animal, mas utiliza plásticos, produtos derivados do petróleo, (resultado de fosseis inclusive de animais), manteiga  vegetal, margarina, além de açucar refinado, cafeína, suplementos, trigo e outras farinhas processadas. Um coquetel de doenças, afinal o capital não permite a existência de nada que ameace seus lucros como esse negócio de saúde e alimento de verdade.  

 

A ocorrência de obesidade em dietas veganas é um fenômeno que ilustra bem como o equilíbrio biológico depende mais da composição dos alimentos do que da ausência de produtos de origem animal.

 

Fotos:

Andy Tolbar, co-fundador da Compassion Co, de roupas veganas, gordo e vegano. Tory Cooper, ativista, educadora, mulher trans, negra, gorda e vegana.

 
 
 

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