O MARKETING DO FLÚOR, DE LIXO À SAÚDE PÚBLICA
Atualizado: 27 de mar.

O termo "chuva ácida" foi criado em 1872 pelo químico escocês Robert Angus Smith, após observar a relação entre a poluição do ar em Manchester (Inglaterra) e a acidez das precipitações. Na época, o problema era considerado local e restrito às cidades industriais. No século XX, com a expansão das indústrias, a chuva ácida se espalhou pelo mundo.
O uso de carvão e petróleo nas chaminés liberava altas quantidades de Dióxido de Enxofre e Óxido de Nitrogênio. Florestas, animais, peixes, ecossistemas foram destruídos por esses ataques massivos. Mas o Dióxido de Enxofre e o Oxido de Nitrogênio não estavam sozinhos nessa devastação. O Fluoreto de Hidrogênio (HF) era o parceiro crítico nas poluições localizadas e degradação dos solos. Um poluente tão especial que teve direito à sua própria chuva, a “chuva ácida de flúor”.
Enquanto os outros ácidos destruíam as folhas, o flúor era absorvido pelas plantas, se acumulava nos tecidos necrosando as bordas das folhas, afetando a fotossíntese de forma mais agressiva que a chuva ácida comum.
Petrificação de ossos, dores articulares, ossos densos e frágeis, deformidades físicas, coluna vertebral fundida e membros curvos. Os efeitos do Fluoreto de Hidrogênio provocava ainda queimaduras químicas, destruição dos tecidos do corpo e edema pulmonar levando à asfixia química. As doenças nos humanos explodiam. Estranho é saber que esse Fluoreto de Hidrogênio (modificado) é o mesmo flúor aplicado no saneamento urbano e nas pastas de dente mundo afora com efeitos bastante questionáveis.
Um estudo de 2024, realizado nos Estados Unidos, descobriu que gestantes com níveis mais altos de flúor na urina tinham maior probabilidade de ter filhos com problemas de comportamento (ansiedade e queixas somáticas). Além disso, um estudo mexicano de 2018 já havia associado a exposição pré-natal ao flúor com um aumento nos sintomas de TDAH, como desatenção e problemas cognitivos, em crianças de 6 a 12 anos. Outra análise de dados de saúde da Flórida, publicada em 2025, comparou crianças expostas e não expostas à água fluoretada. Os resultados mostraram um aumento estatisticamente significativo no diagnóstico de TDAH, assim como de outros transtornos do neurodesenvolvimento, entre as crianças expostas .
COMO TUDO COMEÇOU: PELO SANEAMENTO PÚBLICO
Fazendas destruídas pelas chuvas ácidas com milhares de animais mortos levaram fazendeiros vizinhos de indústrias a protestarem. Várias ações foram vencidas na justiça o que obrigou as fábricas a colocarem filtros de gases como "chuveiros" dentro das chaminés. A água pulverizada reagia com os gases de flúor, impedindo a saída para a atmosfera. A reação química produzia então um líquido corrosivo, o ácido hexafluossilícico. Agora, em vez de um poluente do ar, a indústria tinha um resíduo líquido perigoso que não podia ser lançado em rios e era caro para neutralizar e descartar em aterros sanitários.
Em vez de gastar milhões para neutralizar esse ácido, a indústria encontrou um mercado consumidor: o saneamento público. A solução foi requalificar o resíduo industrial como um "produto de saúde". Assim, ela transformou um custo de descarte em receita de venda.
Governos passaram a comprar e aplicar esse produto nas águas das cidades, além do cloro, sulfato de alumínio, carbonato de sódio e outros produtos. A função do Flúor (Ácido Fluossilícico) seria combater as cáries. O argumento foi encontrado para a adição de mais um químico na água. Doses tão mínimas que não teriam como fazer mal a alguém. Só que o flúor é cumulativo e seus efeitos aparecem em curtíssimo prazo em pessoas mais sensíveis.
Hoje, aproximadamente 90% do flúor usado no tratamento de água no mundo provém desse processo de recuperação da indústria de fertilizantes. É um dos casos mais clássicos de "simbiose industrial", onde o lixo de um setor se torna o ingrediente de outro não importando as consequências.
O FLÚOR E AS CÁRIES
Os primeiros colonizadores se espantaram com duas situações encontradas nos povos originários do Brasil. 1) O hábito de tomar banho, aquilo era como uma heresia. 2) Os dentes brancos, saudáveis nas bocas de todos, de crianças a idosos. Como isso seria possível se esses povos eram selvagens e os europeus civilizados tinham sequências de dentes podres e arcadas vazias?
No ano 1500, final do Século XV, a elite europeia se orgulhava dos seus dentes estragados, sinal de status por indicarem acesso ao açúcar, o “ouro branco”. No século seguinte, após acordos com monarcas endividados, os ricos produtores perdoaram dívidas das realezas em troca da liberação do “ouro branco” para o povo. Nas primeiras expedições ao Brasil, apenas comandantes tinham os dentes estragados. Nas seguintes, a tripulação exibia os mesmos dentes pretos e bocas vazias. O açucar se espalhara como uma praga. As cáries viraram epidemia.
SOLDADOS SEM DENTES
Na Segunda Guerra muitos soldados tinham bocas vazias e dentes podres, o que dificultava o consumo de alimentos duros (rações) nos campos de batalha. Muitos foram liberados e aos demais tornado obrigatório o uso da escovação. Com o fim da guerra, esses soldados levaram a prática da higiene para suas casas. Com a higiene bucal, o indice de cáries caiu o que foi logo atribuído pelo marketing ao flúor recém incluído na água e posteriormente nas pastas.
Sem a escovação não haveria limpeza. Podia-se fazer bochechos, lavar e beber água fluoretada a vontade que não iria evitar as cáries, constataram militares. Se o flúor fosse o responsável pela queda de caries, bastariam alguns bochechos diários.
PASTAS SEM FLÚOR
O flúor como salvador da saúde bucal está com os dias contados. O mercado de pastas sem flúor só cresce. Este ano, a projeção é de aumento de 70% na produção desses cremes. O mercado já ultrapassa os US$ 6 bilhões. Antes restritas ao público alternativo vegano e vegetariano, pastas sem flúor começam a ser adotadas por grandes marcas. Colgate e Procter&Gamble já comercializam linhas zero flúor para crianças. A Colgate acaba de comprar a marca Hello sem flúor destinada aos adultos.
No saneamento urbano, a maioria dos países europeus já não utiliza flúor nas suas águas. A Alemanha interrompeu a fluoretação em 1970. Suécia em 1971. Dinamarca e Noruega sempre rejeitaram a ideia investindo na higiene e no tratamento dentário direto. Holanda interrompeu em 1973 e Finlândia em 1992. Itália e Grécia também não têm fluoretação. Por que os índices de cáries caíram na Europa? Dados da OMS mostram que o declínio na Europa continental (sem flúor) foi até maior do que em países com fluoretação. Todos passaram a focar na higiene e na conscientização sobre o consumo de açucar.
A HIGIENE NA ANTIGUIDADE
O palito de dentes era um acessório usado pendurado no pescoço por correntes de ouro pela elite europeia, antes da epidemia do açucar. Eram feitos de metal precioso e muitas vezes cravejados com gemas. O uso em público era chique, sinal de que a pessoa se preocupava com a etiqueta e a higiene após as refeições, algo raro na época.
As elites da antiguidade no Egito e Roma, eram obcecadas com o hálito. No Egito usavam o “Miswak, galhos de árvore “Salvador”, da Pérsia, que contém naturalmente agentes antibacterianos. As pontas eram mastigadas até virarem cerdas.
A elite romana utilizava uma mistura de urina humana (importada da península ibérica, por acreditarem ser mais "forte") para clarear os dentes. O amoníaco da urina realmente funcionava como um agente de limpeza, embora o método fosse questionável.
ESCOVAS DE OURO E PELOS DE ANIMAIS
Até o século XVIII, a escova de dentes era um objeto de luxo absoluto. Os cabos eram fabricados em marfim, osso de boi entalhado, madrepérola ou até prata e ouro. Muitas vezes eram personalizados com as iniciais do proprietário.
As cerdas eram naturais de pelos de texugo (por serem mais macios) ou crina de cavalo. O "povão" usava cerdas de porco, muito duras, baratas que machucavam as gengivas, além de reterem bactérias.
A primeira escova de dentes produzida em massa foi criada por William Addis na Inglaterra, por volta de 1780. Ele teve a ideia enquanto estava na prisão, usando um osso de frango e cerdas de porco que conseguiu com um guarda. Ao sair, ele fundou a Wisdom Toothbrushes, que existe até hoje.
A escovação dentária pelas elites, antes da industrialização e da invenção do nylon em 1938, era um misto de ritual de status, joalheria e o uso de materiais naturais exóticos. Enquanto o restante da população usava um pano úmido com sal ou cinzas (ou simplesmente não escovava), as classes altas tinham acesso a ferramentas sofisticadas.
A composição química dos pós variou drasticamente ao longo dos séculos, evoluindo de misturas abrasivas e orgânicas para fórmulas químicas mais complexas no século XIX e cremes do século XX. Hoje, as campanhas estão migrando do foco no "flúor e escovação" para a redução drástica do consumo de açúcar e o uso de novas tecnologias de remineralização.
O debate é intenso e ainda não há consenso nas entidades de Odontologia sobre os efeitos do flúor. Mas a Academia Internacional de Medicina Oral e Toxicologia (IAOMT) adota uma postura de precaução. Com base em estudos financiados pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA, a IAOMT argumenta que as evidências de danos neurológicos já são fortes o suficiente para que o princípio da precaução seja aplicado, ou seja, medidas preventivas já devem ser tomadas mesmo na ausência de uma certeza absoluta.



Independentemente de um veredito final sobre a segurança do flúor, o trabalho de resgatar a evolução da nossa higiene — dos dentes pretos como sinal de status às escovas de marfim — nos faz questionar o quanto do nosso cuidado moderno é saúde e o quanto é herança de mercado. Valeu a pesquisa!
Muito interessante a associação do flúor ao TDAH, considerando que atualmente há uma identificação cada vez mais frequente de crianças com esse transtorno. Segundo a OMS, existem diversos fatores associados, mas, como invariavelmente há interesses econômicos envolvidos, é sempre prudente analisar essas informações com senso crítico.