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A COMIDA MATA MAIS QUE A FOME E A VIOLÊNCIA

Foto do escritor: Arthur Andrade Tree
Arthur Andrade Tree
14 de mai.
6 min de leitura

Atualizado: 16 de mai.

Nas grandes cidades, a comida moderna mata até 60% da população enquanto a fome é estatisticamente rara.  

 


O café da manhã foi invenção do marketing. Hoje ritual, o breakfast virou refeição essencial há menos de 200 anos. A revolução industrial precisava de operários estimulados para suportar 14 horas de trabalho. O café foi usado como droga dos escravos modernos. Mas a bebida não veio sozinha.

 

Na década de 1920, o publicitário Edward Bernays foi contratado por uma empresa de carnes para aumentar as vendas do bacon. Antes de lançar a campanha, ele procurou médicos para que afirmassem ser o café da manhã mais saudável se tivesse a carne defumada.  Com o marketing e a cumplicidade de médicos, surgiu o padrão americano do café da manhã com carne doente.

 

Um pouco antes, final do século 19, os empresários Harvey Kellogg e CW Post venderam como saudável e de fácil digestão o cereal matinal. Criadores de frangos logo se aproveitaram e incluíram os ovos como parte essencial. Para completar era preciso colocar o leite nesse combo de doenças. E lógico, o açúcar.

 

Graças a esse banquete matinal, em poucos anos explodiram epidemias de Diabetes Tipo 2 e Síndromes Metabólicas. Com a introdução de óleos vegetais e a margarina, aumentaram as doenças cardiovasculares e a obesidade. Com o organismo em constante estado inflamatório, cresceram exponencialmente casos de Aterosclerose (entupimento de artérias) e a Obesidade Visceral.

 

O CÂNCER NO CAFÉ DA MANHÃ

 

O café da manhã “saudável” passou a prejudicar o sistema neurológico e aumentar casos de névoa cerebral, confusão mental e inércia cognitiva (incapacidade de raciocínio lógico). E o câncer tomou conta. Antes da Revolução Industrial, a incidência em populações antigas era inferior a 1%.

Em milhares de esqueletos analisados, pesquisadores encontraram apenas uma dezena de casos de metástases. Depois do Café da Manhã como símbolo da Revolução Industrial nas mesas, o câncer passou a ser responsável por até 50% das mortes em países desenvolvidos.

 

O cancer colorretal teve salto drástico. A comida passou a matar mais do que a fome. Dados da OMS apontam até 45 milhões de mortes por ano diretamente ligadas à comida. A desnutrição e a fome extrema causam cerca de 9 milhões, a maioria crianças com menos de 5 anos em regiões da África Subsariana e partes da Ásia. Em grandes cidades como São Paulo e Nova Iorque a morte por falta de calorias é estatisticamente rara enquanto a por comida atinge até 60% da população. De forma esmagadora, a comida mata mais que as guerras e a violência. Dados de 2024 da ONU indicam 600 mil mortes em conflitos contra 45 milhões por bacon, café, leite, açucar, cereais matinais e uma infinidade de ultra processados.

 

DOENÇA COMO DESTINO

 

A revolução industrial trouxe a doença como destino natural das pessoas. Era preciso portanto organizar esse processo com reservas de mercados. Nasceram então as especialidades médicas. Até os anos 1950, existiam os médicos clínicos, generalistas, que tratavam o corpo todo. Nos anos 60, o corpo passou a ser fatiado. Hoje um paciente chega a ter 110 divisões possíveis atendidas por 59 tipos de especialistas. O médico especializado no órgão X raramente se comunica com o órgão Y.

 

Cerca de 60% dos médicos do Brasil possuem títulos de especialistas e se concentram nos centros urbanos. As áreas rurais dependem de alguns resistentes generalistas. Na linha da doença como destino natural, surgiram também os planos de saúde, os conglomerados de hospitais, a indústria de procedimentos, os exames mirabolantes e a enxurrada de medicamentos e suplementos. Todos girando em torno da comida agora administrada pelo nutricionista. A especialidade que não se mistura com a medicina, ganhou poder.

 

Se a pessoa está fraca, o nutricionista receita comida. Se está obesa, recomenda comida com baixo teor de carboidrato além, óbvio, dos suplementos. As cápsulas vão compensar o déficit de vitaminas, outra invenção da revolução industrial. Portanto para viver é preciso comer. Mesmo no pós operatório, a nutricionista do hospital indica uma comidinha em prato de plástico com um copo (de plástico) de suco. Quando recebe alta, um cafezinho para o brinde, em copinho de plástico.

 

O JEJUM

 

Quer matar um nutricionista e fazer um médico padrão se exasperar basta falar em jejum.  O jejum é a contra revolução industrial, a subversão da ordem, o pavor do sistema.  Ele é terminantemente proibido em hospitais e centros de saúde. O corpo precisa de comida, nem que seja pela veia. O corpo não tem direito ao descanso, ele precisa do trabalho forçado como um escravo. O jejum é tão perigoso que pode tirar empregos e revelar a inutilidade de especialidades. Porque o jejum é a retomada do poder do corpo, a libertação pela paz, pelo silêncio e pela inteligência.

 

O jejum é tão revolucionário que pode mexer em tradições, rituais, crenças e vícios. Ao assumir a ordem natural, ao se livrar de muletas colocadas pelo medo mental do  “menos”, o corpo alcança sua natural iluminação. Todas as tradições esotéricas falam do jejum como cura. A medicina da antiguidade receitava água, jejum e sol. Qualquer inflamação perde força com jejum. É tão poderoso que é capaz até de unir pessoas nas crises de ego. O jejum desmonta o ego.

 

O JEJUM DO EGO

 

Casais que consomem comida em excesso e ultraprocessados vivem em montanhas-russas de insulina. A queda brusca de açucar (hipoglicemia) gera irritabilidade, impaciência, reações desproporcionais e conflitos. O jejum põe fim a essa gangorra levando mais clareza mental e serenidade. Ele funciona como uma limpeza sensorial ao reduzir a inflamação sistêmica. Logo as percepções se tornam mais refinadas. O olfato, o tato e a visão ficam mais aguçados aumentando a conexão empática e a capacidade de ler sinais não verbais do parceiro.

 

Quando o casal deixa de gastar energia com a logística da comida (comprar, preparar, comer, limpar) várias vezes ao dia, esse tempo passa a ser canalizado para atividades que reforçam o vínculo – caminhadas, práticas de aterramento, diálogos profundos. Os impactos são sentidos na vitalidade e na libido. O jejum ajuda a equilibrar a testosterona em ambos os sexos o que reflete no vigor físico e no interesse pelo parceiro. Em resumo, é como um reset biológico que acaba limpando crenças e velhas dinâmicas sociais.  

 

CINCO DIAS DE JEJUM

 

Nas primeiras 24 horas, o corpo consome as reservas imediatas. O fígado libera o estoque de glicogênio para manter estável o nível de glicose no sangue. Os níveis de insulina caem drasticamente. É o dia mais difícil para quem tem dependência de ultraprocessados – o cérebro viciado em glicose envia sinais intensos de fome e irritabilidade.

 

No dia 2, sem glicogênio, o corpo vai buscar alternativas. Então converte aminoácidos e gorduras em glicose para alimentar os órgãos que não funcionam sem ela (partes do cérebro). O fígado passa a produzir corpos cetônicos a partir de gorduras. Pode então surgir uma névoa mental e uma leve letargia.

 

No dia 3 é o auge da Autofagia, o pico da limpeza celular. Autofagia é o corpo se alimentando de si próprio. Ele passa a reciclar proteínas velhas, células danificadas e micro organismos malformados. É o processo de rejuvenescimento biológico. A gordura acumulada se torna sua principal fonte de energia. A fome física desaparece e passa a ser substituída por um estado de alerta.

 

No dia 4, os níveis de hormônio do crescimento aumentam (em alguns casos em até 300%) para preservar a massa muscular e os tecidos enquanto o corpo se regenera. Marcadores inflamatórios caem drasticamente. Cresce a clareza mental, um estado de foco profundo e aguçamento dos sentidos na “euforia do jejum”. É o melhor momento para encontrar soluções e tomar decisões.

 

No dia 5, o corpo completa o ciclo do reboot biológico. O sistema imunológico é regenerado após o corpo substituir glóbulos brancos velhos por novos a partir de células-tronco.  O sistema atinge um nível extremamente alto de sensibilidade à insulina, limpando receptores celulares entupidos por anos de má alimentação. O metabolismo atinge um platô de eficiência onde o consumo de energia é otimizado para o mínimo desperdício. Este processo permite ao sistema biológico abandonar o excesso de estímulos químicos e retornar ao estado de neutralidade e eficiência operacional.

 

O jejum é o testemunho do imenso poder do corpo, de sua enorme capacidade de ajustes e cura. O corpo natureza, resultado de bilhões de anos de conhecimento acumulado em trilhões de células inteligentes, sabe tudo e um pouco mais. Nesse universo, a medicina deveria funcionar como suporte e não mentora. E a comida funcionar como alimento discreto e não euforia, distração, domínio, dependência e doenças.

 

 Hartur

 
 
 

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