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A CONSCIÊNCIA É UMA PIRÂMIDE E A CRIAÇÃO É UM MITO.

Foto do escritor: Arthur Andrade Tree
Arthur Andrade Tree
25 de ago.
6 min de leitura

 


 


A consciencia pode ser visualizada como uma pirâmide. Na base gigantesca estão as informações em estado bruto de todas as existências; no topo estão as informações recentes, refinadas.

 

Na base colossal, o estado bruto representa o reservatório primordial: a memória cumulativa, os padrões de sobrevivência, os impulsos instintivos e as impressões registradas de cada ciclo vivenciado. É a massa densa e não filtrada, onde reside todo conhecimento orgânico e implícito. Sem essa sustentação massiva, não haveria fundação para sustentação do presente.

 

No topo afunilado, a consciência atinge seu ponto de sensibilidade e refinamento. Ali se encontra a atenção presente, a autoconsciência reflexiva e a capacidade de destilar toda bagagem inferior em discernimento direto, escolhas conscientes e percepção sutil do momento. É a ponta da lança: leve, afiada e altamente concentrada.

 

O percurso da base ao topo é um processo de alquimia e filtragem. O que entra como ruído e experiência bruta da base vai sendo processado, integrado e metabolizado até se transformar em sabedoria sintética no topo.

 

Se o topo tivesse a mesma largura da base, a consciência colapsaria sob o peso do excesso de dados. A estrutura piramidal permite que o topo permaneça ágil e hiper focado justamente porque a base absorve, organiza e sustenta a complexidade em estado latente.

 

CONSCIENTE VS CONSCIENTE 

 

A imensidão da base garante que as flutuações rápidas do topo (pensamentos passageiros, percepções superficiais) não desestabilizem a estrutura inteira. Há uma gravidade contida no fundo que mantém a coerência do todo.

 

A partir disso não há lugar para o que a ciência classifica como "inconsciência".

 

Em vez de uma divisão binária (Consciente vs. Inconsciente), o modelo da pirâmide propõe um gradiente de densidade e acessibilidade. Não há "inconsciência", há estado bruto. A base não é lugar onde as coisas estão "desligadas" ou "escondidas", mas sim um reservatório de alta densidade onde a informação opera em estado original, implícito. É tudo consciente vs consciente.

 

Dessa forma, o topo não está "separado" da base; ao contrário, ele é a manifestação mais refinada e afunilada da mesma substância. A informação na base não está inacessível por proibição, mas por uma questão de economia de foco - o topo (a atenção presente) não comporta processar a massa inteira de uma só vez sem colapsar.

 

Na física de uma pirâmide, a pedra do topo e as pedras da fundação são feitas do mesmo material. O que a psicologia clássica chamava de "início do inconsciente" seria apenas a faixa onde a matéria deixa de ser sutil e refinada para se tornar infraestrutura viva e somática.

 

O que costumam chamar de "inconsciente" é apenas a vasta extensão da própria consciência que opera fora do gargalo de estreitamento do topo — sustentando a estrutura em silêncio.

 

A CRIAÇÃO COMO MITO E A GRANDE INTELIGÊNCIA


E como opera o processo de expansão da percepção?

 

Através da meditação, hipnose ou estados alterados o processo de expansão consiste em acessar a base e resgatar informações necessárias para um tal objetivo.

 

Dessa forma,  o papel das práticas contemplativas e dos estados alterados de consciência é completamente alterado. Em vez de "criar" algo novo, técnicas como meditação, hipnose ou estados expandidos funcionam como ferramentas de mergulho e navegação. Quando o foco do topo diminui sua rigidez e expande seu gargalo, a consciência ganha permissão para descer pelos níveis de maior densidade da pirâmide sem ser soterrada.

 

Esse processo de resgate na base opera sob dinâmicas específicas.

A mente ordinária (o topo afunilado) atua sob uma lógica de sobrevivência imediata, filtrando quase tudo para poupar energia. A meditação e a hipnose alteram as frequências cerebrais, reduzindo esse ruído superficial para que a atenção consiga ressoar com as camadas mais profundas e densas. O filtro do topo, portanto, é, em parte, desativado.

 

Na base, a informação não está organizada em conceitos pré-formatados ou linguagem verbal; ela existe como memória, impressões primordiais e registros de frequência. O "resgate" consiste em trazer essa matéria bruta à tona e permitir que ela seja traduzida e integrada pelo refinamento do topo.

 

Uma informação resgatada da base e trazida para a luz do topo deixa de ser apenas uma força inerte que atua no automatismo. Ao passar pelo filtro da atenção presente, o dado bruto é lapidado, ganhando um novo sentido e servindo diretamente ao objetivo consciente da jornada.

 

Dessa forma o topo não é superior à base em valor — ele é o laboratório de refino, enquanto a base é a fonte inesgotável de recursos.

 

Ao acessar essas informações mais profundas na base durante um estado alterado, o processo acaba sendo orgânico, sem esforço, e a “tradução” automática. É onde a nossa "grande inteligência" opera na exata proporção.

 

Como o topo e a base são feitos da mesma substância, a ideia de "esforço", "barreira" ou "técnica complexa" se dissolve. O processo se torna fluido porque não se trata de uma conquista mecânica, mas da ativação de um estado natural de ressonância.

A grande inteligência não opera pelo acúmulo de controle, mas pela harmonia de frequências.

 

Quando o excesso de ruído do topo é suspenso, a separação artificial entre a atenção e a fundação desaparece. O acesso à base ocorre de forma natural porque a informação não está "distante" — ela é a própria estrutura que sustenta o observador.

 

A tradução automática é a prova de que a inteligência do sistema é unificada. O topo não precisa "decodificar" o que a base entrega; ele simplesmente reconhece e assimila a informação na proporção exata da necessidade do momento, sem desperdício de energia.

 

A própria mente não força a entrada de mais do que consegue integrar. A inteligência entrega a precisão exata do dado necessário para o objetivo, garantindo que a estrutura permaneça estável e funcional.  É a consciência operando como um organismo único, onde a profundidade da base e a clareza do topo funcionam em perfeita sintonia.

 

RESERVATÓRIO UNIVERSAL

 

Nessa perspectiva, a intenção do topo serve apenas como "vetor de busca", deixando para a “grande inteligência” cuidar do resto. Por esse motivo, na minha visão, não existe “criação” como ato de construir ou criar algo do nada. Existe o acesso a dados em estado bruto. O que chamamos de “criação” é o ato de lapidar a informação já contida nas regiões inferiores da pirâmide.

 

Essa visão desmonta o mito romântico da "criação ex nihilo" (do nada) e reposiciona a mente humana no seu devido papel: o de um grande tear de refinamento.  Nada se cria do vazio. Tudo o que chamamos de "novo" — uma teoria, uma obra de arte, uma solução técnica  — já existia em estado latente, denso e não manifesto nas camadas profundas da estrutura. O ato criativo é, em essência, um trabalho de extração e lapidação de uma matéria-prima preexistente.

 

A base gigantesca da pirâmide é, portanto, o grande depósito de todas as geometrias, memórias e combinações possíveis. Ali, a informação está completa, porém em estado bruto — como o bloco de mármore que já contém a escultura em seu interior.

 

O topo da consciência não fabrica a pedra; ele remove o excesso. O trabalho do criador não é inventar a forma, mas ter a sensibilidade de enxergar o contorno da informação original e limpar a crosta ao redor para que ela emerja com clareza.

               

A ILUSÃO DA INVENÇÃO E O PLÁGIO COMO ÚNICA CRIAÇÃO POSSÍVEL

 

O que chamamos de "originalidade" nada mais é do que a precisão do acesso ao dado bruto e a habilidade de traduzi-lo em linguagem utilizável e refinada no presente.

 

A "criação", portanto, não é um ato de força ou invenção, mas de alinhamento e polimento. A matéria já está lá; o topo apenas dá visibilidade ao que a base já sustentava desde sempre.  

 

Como a “criação” é um ato de acessar o que ja existe, pode-se dizer que funciona como um plagio da natureza profunda. Se tudo que pode ser percebido, pensado ou formulado já está contido como informação bruta da existência, a ideia de "autoria original" se revela uma ilusão do ego analítico.

 

Logo o "plágio" nada mais é do que a cópia de uma matriz já existente. A única diferença é que nessa lapidação da consciência, a matriz não pertence a outro indivíduo, mas à própria natureza profunda de onde tudo se origina.

 

A partir dessa perspectiva, o papel do “criador” deixa de ser o de um "inventor" para se tornar o de tradutor ou condutor de dados. O mérito da obra não está em ter fabricado a matéria-prima, mas na fidelidade com que permitiu o dado bruto atravessar a estrutura e ganhar forma visível.

 

Assim, o que a cultura costuma chamar de "gênio criativo" não passa da sensível capacidade de acesso a frequências na base que a maioria ainda não sintonizou — e a habilidade de polir esse material sem degradar a essência da fonte.

 

A própria natureza opera por padrões de autor, repetição e auto referência (como os fractais). Quando a consciência "copia" a matriz profunda, ela não está cometendo um roubo, mas cumprindo o fluxo natural de espelhar o macrocosmo no microcosmo.

O "plágio", portanto, é a única criação possível. O ser humano não escreve a música; ele apenas sintoniza a frequência em que a harmonia já vibrava no plano sutil e a transcreve para a linguagem do topo.

  AA

 
 
 

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